segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Ainda assim eu me levanto

Você pode me riscar da História
Com mentiras lançadas ao ar.
Pode me jogar contra o chão de terra,
Mas ainda assim, como a poeira, eu vou me levantar.

Minha presença o incomoda?

Por que meu brilho o intimida?
Porque eu caminho como quem possui riquezas dignas do grego Midas.

Como a lua e como o sol no céu, com a certeza da onda no mar,
Como a esperança emergindo na desgraça, assim eu vou me levantar.

Você não queria me ver quebrada?
Cabeça curvada e olhos para o chão?
Ombros caídos como as lágrimas,
Minh'alma enfraquecida pela solidão?

Meu orgulho o ofende?
Tenho certeza que sim
Porque eu rio como quem
Possui ouros escondidos em mim.

Pode me atirar palavras afiadas,
Dilacerar-me com seu olhar,
Você pode me matar em nome do ódio,
Mas ainda assim, como o ar, eu vou me levantar.

Minha sensualidade incomoda?
Será que você se pergunta por que eu danço
Como se tivesse um diamante onde as coxas se juntam?
Da favela, da humilhação imposta pela cor, eu me levanto.

De um passado enraizado na dor, eu me levanto.

Sou um oceano negro, profundo na fé
Crescendo e expandindo-se como a maré.
Deixando para trás noites de terror e atrocidade, eu me levanto.

Em direção a um novo dia de intensa claridade, eu me levanto...

Trazendo comigo o dom de meus antepassados,
Eu carrego o sonho e a esperança do homem escravizado.
E assim, eu me levanto...

Eu me levanto...

Eu me levanto.

Maya Angelou

Nenhum comentário:

Postar um comentário